14 de jun. de 2012

Pós-Jogo Santos x Corinthians

O Corinthians conquistou uma importante vitória na noite desta quarta-feira (13), ao vencer o Santos por 1 a 0, em plena Vila Belmiro, pelo primeiro jogo da semifinal da Taça Libertadores da América. Mesmo jogando fora de casa, o Timão foi soberano durante a maior parte do confronto e saiu de campo vitorioso graças a um belíssimo gol do atacante Emerson, marcado aos 27 minutos do primeiro tempo.




Com a vitória, o Timão encerrou a invencibilidade do Santos na Vila Belmiro nesta temporada. Até a noite desta quarta-feira, o Peixe ainda não havia sido derrotado em seus domínios em 2012: em 12 partidas, foram nove vitórias e dois empates, contra Sport e Fluminense. Ao quebrar a série positiva santista, o Corinthians também confirmou o excelente retrospecto de sua zaga, que sofreu somente dois gols em toda a Libertadores – nenhum deles na fase final da competição.

O triunfo faz com que o Corinthians entre em campo na próxima quarta-feira (20), no Pacaembu, tendo a vantagem de poder empatar sem gols para disputar a final da Libertadores da América, contra o vencedor de Boca Juniors e Universidad de Chile, que fazem o primeiro confronto da outra semifinal nesta quinta-feira (14), em La Bombonera.

O Santos esteve apático durante todo o primeiro tempo e foi facilmente dominado pelo Corinthians. Mesmo com a presença de Paulo Henrique Ganso em campo, o Peixe não demonstrou inspiração ofensiva e viu Neymar ter uma atuação apagada, sendo facilmente marcado por Alessandro e Chicão. Na etapa final, o Peixe apresentou mais posse de bola do que o rival; contudo, só levou perigo ao gol de Cássio através de jogadas de bola parada ou bolas alçadas na área, buscando a presença de seus dois centroavantes. Nem mesmo quando passou a atuar com um jogador a mais – Emerson viu o segundo cartão amarelo aos 31 minutos do segundo tempo –, o Santos conseguiu o empate.

Aos 36 minutos do segundo tempo, parte dos refletores da Vila Belmiro se apagaram. A partida ficou paralisada por pouco mais de quinze minutos, período no qual os atletas de ambas as equipes descansaram e ouviram longas instruções de seus respectivos treinadores. Nada disso, porém, conseguiu ameaçar a vitória corintiana.

O JOGO

O primeiro tempo foi praticamente todo do Corinthians. Mesmo atuando em seus domínios, o Santos parecia nervoso e, nos minutos iniciais, ficou acuado em seu campo de defesa. O Timão marcava de forma inteligente e tocava a bola com sabedoria, aguardando o momento certo de atacar – do mesmo modo como o técnico Tite havia afirmado em coletiva de imprensa. O Peixe, por sua vez, não conseguia sair do seu campo de defesa.

Taticamente, o Corinthians atuava conforme o previsto: o meia Danilo fazia as vezes de centroavante, com Emerson caindo pelo lado esquerdo e Jorge Henrique pelo lado contrário. As ações ofensivas no meio-campo cabiam ao volante Paulinho, pela direita, e ao meia Alex, pela esquerda. A recomposição corintiana era rápida e não dava espaços para o Peixe, que marcava de forma semelhante: Neymar e Elano auxiliavam Henrique na marcação pelo lado direito – o que não acontecia pelo lado esquerdo, com Ganso.

O camisa 10 – assim como Arouca, recém-recuperado de lesão – parecia sentir a falta do ritmo de jogo e errava passes simples na saída de bola. Além disso, sua recomposição no meio-campo era lenta, o que dava espaços ao Corinthians. As investidas de Emerson pelo lado esquerdo eram perigosas e renderam algumas faltas laterais que, por sua vez, não resultaram em perigo de gol.

O Corinthians praticamente não atacou pelo lado direito durante todo o primeiro tempo. O flanco ficou mais limitado à bem-executada marcação de Jorge Henrique em Juan, que encontrou dificuldades em sair para o jogo. A apatia de Ganso, somada à falta de inspiração de Neymar, que pouco criou – para não dizer que não criou nada – durante a etapa final, fez com que o time visitante tomasse gosto pelo jogo.

Foi assim que, aos 27 minutos de jogo, o Corinthians inaugurou o marcador na Vila Belmiro – o que, por si só, já representaria uma excelente vantagem para o jogo de volta. Paulinho conduziu a bola pelo meio-campo santista e passou para Emerson, posicionado na entrada da área, pela esquerda. Completamente livre – o volante Henrique, encarregado da marcação, estava dentro da área –, o atacante teve tempo de dominar a bola, visualizar a posição de Rafael e, com um chute colocado, finalizar no ângulo, marcando um belíssimo gol: 1 a 0 para o Corinthians.

Com a vantagem assegurada, o Timão diminuiu o ritmo de suas ações ofensivas, mas fez jus ao exaltado jogo coletivo da equipe. Sem cansar ou diminuir o ritmo defensivo, a equipe continuou marcando, apesar de a posse de bola do Santos ter aumentado após o gol de Emerson. O Peixe, porém, esbarrava na falta de inspiração de seus jogadores ofensivos: Ganso jogava de forma burocrática, dando muitos passes para trás e pouquíssimos para a frente; Neymar não partia para cima de seus marcadores; Elano limitou-se a ficar preso ao flanco direito, tentando alçar bolas na área; e Alan Kardec, isolado entre a zaga corintiana – a de melhor retrospecto da Libertadores –, não recebia bolas e nem incomodava a marcação.

O primeiro lance de perigo do Santos – a primeira finalização da equipe – veio somente aos 42 minutos do primeiro tempo. Sem força dos jogadores de frente, coube ao volante Adriano ir ao ataque. O meio-campista descolou bom passe para Juan, que invadiu a área pela esquerda e cruzou rasteiro. Alan Kardec fez o corta-luz e a bola sobrou para Elano que, na marca do pênalti, finalizou em cima da marcação. Na sobra, Alan Kardec tentou completar, mas Leandro Castán, com um carrinho providencial, evitou que a bola oferecesse perigo ao gol de Cássio.

No intervalo, Muricy Ramalho sacou o apagado Elano para a entrada de Borges, recuando Alan Kardec. Apesar de ter iniciado a etapa final em um ritmo lento, o Santos teve uma boa chance aos quatro minutos. Ganso, na esquerda, visualizou a deslocação de Juan rumo ao área e descolou belo lançamento para o lateral-esquerdo, que ajeitou para Borges. De perna esquerda, o atacante finalizou de primeira, para tranquila defesa de Cássio.

Cássio não teve vida tão fácil no minuto seguinte. Neymar cobrou escanteio na segunda trave e Durval, livre, teve tempo de dominar para finalizar de perna esquerda, à queima-roupa, para boa intervenção do goleiro corintiano. Na sequência, o Santos alçou novamente a bola à área. Novamente, Durval surgiu para cabecear, mas o defensor estava em condição de impedimento. O Peixe cresceu e, aos dez minutos, obrigou novamente Cássio a trabalhar: Juan levantou para a área, Alan Kardec ajeitou de cabeça e Borges, também de cabeça, tentou encobrir o goleiro corintiano, que espalmou para escanteio.

Aos 12 minutos, o Corinthians teve uma ótima chance de ampliar o placar e levar um excelente resultado para o Pacaembu. Emerson foi lançado e ficou no um contra um com Durval. O atacante tentou o drible em velocidade e chegou a tomar a frente do zagueiro santista; porém, ao entrar na área, o jogador foi ao chão e o árbitro mandou o jogo seguir. Na sequência, o Peixe encontrou Neymar dentro da área: o atacante gingou e levou para a perna esquerda, mas finalizou mal.

Ganso passou a entrar mais no jogo e o Santos começou a jogar sobre a intermediária do Corinthians. O mesmo, porém, não pôde se dizer de Neymar que, preso ao flanco esquerdo, era facilmente marcado por Alessandro e Chicão e demonstrava estar sem inspiração para decidir o jogo. Quando decidiu deslocar-se para outras faixas do gramado, fez uma boa jogada pelo meio e sofreu falta do lateral-direito corintiano, que recebeu cartão amarelo.

A partida, que até então estava tranquila, começou a esquentar aos 30 minutos. Neymar entrou de forma ríspida em Leandro Castán e recebeu o amarelo, mas um princípio de confusão instaurou-se no gramado. O árbitro amainou os ânimos dos atletas; porém, quando o Corinthians foi ao ataque, Emerson “retribuiu” a gentileza de Neymar em Castán e recebeu o segundo cartão amarelo, sendo expulso de campo. Os jogadores corintianos cercaram o árbitro e as provocações dos jogadores santistas não contribuíram para que o clima voltasse a ficar ameno.

Aos 34 minutos, o Peixe teve a principal chance do jogo. Ganso tocou para Alan Kardec que, dentro da área, chutou cruzado. A bola cruzou toda a extensão da área e passou por Borges e Neymar, que não conseguiram finalizar por conta de um desvio providencial de Leandro Castán. Na cobrança de escanteio, Neymar encontrou Juan na segunda trave: o lateral matou no peito e chutou forte, de perna esquerda, para brilhante intervenção de Cássio, que mandou para escanteio.

Talvez indignada com a excelente atuação de Cássio, a torcida do Santos arremessou um capacete em direção ao goleiro corintiano – no primeiro tempo, um copo de água já havia sido arremessado. Aos 36 minutos, o Corinthians lançava-se em contra-ataque quando parte dos refletores da Vila Belmiro se apagaram. Cerca de quinze minutos após o “apagão”, a bola voltou a rolar, com o zagueiro Wallace no lugar do meia Alex, no Corinthians, e o meia Felipe Anderson no lugar do volante Arouca, no Santos.

Com um a menos, o Corinthians trancou-se no campo de defesa. Danilo, que jogou improvisado no ataque durante boa parte do confronto, passou a atuar quase como um cabeça-de-área, caindo pela esquerda do meio-campo. O Peixe trocava passes na intermediária corintiana, buscando furar o “ferrolho” do técnico Tite. O Corinthians defendia com absolutamente todos os seus jogadores atrás da linha da bola; por sua vez, o Santos jogava com a sua linha de zaga na altura do meio-campo.

O Peixe tentou aos 41 minutos, com uma finalização de cabeça de Borges que saiu ao lado do gol. No minuto seguinte, Alan Kardec se jogou dentro da área e pediu pênalti; o árbitro Marcelo de Lima Henrique ignorou a manobra do atacante santista. Muricy tentou uma última cartada ao substituir Alan Kardec pelo jovem Dimba – porém, já não havia tempo hábil para o Santos reagir.

FICHA TÉCNICA
SANTOS 0x1 CORINTHIANS


Competição: Taça Libertadores da América – Semifinal (1º jogo)
Data/Hora: 13/06/2012, às 21h50 (horário de Brasília)
Local: Vila Belmiro, em Santos (SP)
Arbitragem: Marcelo de Lima Henrique (RJ), auxiliado por Dibert Pedrosa (SC) e Roberto Braatz (PR)
Cartões amarelos: Leandro Castán, Emerson, Alessandro, Cássio e Chicão (COR); Neymar (SAN)
Cartões vermelhos: Emerson (31’/2ºT)
Gols: Emerson (27’/1ºT – 0x1)

SANTOS: Rafael; Henrique, Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca (Felipe Anderson – 37’/2ºT), Elano (Borges – intervalo) e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Alan Kardec (Dimba – 46’/2ºT). Técnico: Muricy Ramalho.

CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Alex (Wallace – 37’/2ºT); Jorge Henrique, Emerson e Danilo. Técnico: Tite


via: @futnet