Boa noite amigos e amigas do Blog.
Muitos amigos e amigas me perguntam porque escolhi o Flamengo como time e porque sou tão fanático pelo Mais Querido do Mundo .
Para poder contar isso ao pé da letra retorno ao final dos anos 70, quando eu tinha 7 anos em 1978.
Eu
já havia visto jogos do Flamengo na Rua Bariri, no campo do Bonsucesso,
no campo da Portuguesa na Ilha do Governador, mas nunca tinha ido ao
Maracanã e enchia o saco do meu pai para que ele me levasse ao Maraca,
meu primo Guilherme também rubro-negro assim como meus Avós paternos
Guilherme e Linda e meus Tios já tinham ido ver o Mengão no maior do
mundo, porém eu estava só com as imagens narradas por eles em minha
mente.
O
ano foi passando o Flamengo havia ganhado o Primeiro Turno do Carioca, e
se vencesse o Segundo Turno seria campeão direto sem a necessidade de
jogos finais.
Então
para minha alegria meu Pai decidiu que iríamos ver o jogo final do
segundo turno entre Flamengo e Vasco no Maior do Mundo.
A
semana demorou a passar eu contei a todos amigos da rua e do colégio
que iria ver o Flamengo no Maracanã que assistiria ao Zico em campo e
assim torceria pro meu time e pro meu ídolo com mais alegria ainda.
Meu
Pai Vascaíno doente, assim como meu velho e saudoso Vô Monteiro, também
bacalhau fervoroso, fizeram de tudo durante minha infância para que eu
fosse Vascaíno assim como eles porém não tiveram sucesso nessa
empreitada, me deram camisas de presente que nunca usei, bolas, escudos,
mas tudo ficava entocado num canto em que eu nunca mais iria mexer, era
o canto dos brinquedos e roupas que a minha Mãe iria dar a outras
crianças porque eu já não brincava ou as roupas não davam mais em mim.
Enfim
chegou o tão sonhado dia, meu Pai passou lá em casa, me pegou fomos
almoçar numa churrascaria, a gente sempre ia aos domingos, porque meu
Pai era separado de minha Mãe então aos finais de semana passeávamos o
tempo todo juntos, e fomos ao tão sonhado jogo no Maracanã .
Chegamos,
meu Pai demorou muito para estacionar o carro, conseguimos a muito
custo uma vaga e então fomos rumo as bilheterias do Maracanã.
Filas
enormes, naquela época não tínhamos as comodidades de hoje, tais como
internet, ingressos vendidos antecipadamente nos clubes, nada disso
existia tínhamos mesmo que enfrentar as longas filas e a confusão gerada
por isso para poder comprar nossos ingressos, conseguimos enfim as
entradas e fomos em direção a entrada, pela rampa do Bellini.
Entregamos
nossos ingressos a pessoa que estava na catraca e passamos, ao entrar
fiquei maravilhado por estar no Maracanã, até então O Maior Estádio de
Futebol do Mundo.
Subimos
a rampa mas para meu desespero ao chegar na entrada das torcidas meu
Pai decidiu ir para o lado Vascaíno, eu fui quase chorando queria estar
no lado do Mengão, da torcida do meu time, mas fiquei calado e segui
junto do meu Pai.
O
Vasco jogava pelo empate para ganhar o Segundo Turno e assim ter o
direito de fazer mais dois jogos finais que seriam contra o próprio
Flamengo, e ao Mengão para ser campeão antecipado teria que ganhar o
jogo por qualquer placar.
Esse jogão aconteceu no dia 03 de Dezembro de 1978, as 17 horas.
O
Maracanã estava muito cheio, haviam mais de 120.000 mil pagantes e o
jogo foi tenso, o Flamengo jogando no ataque e o Vasco recuado
aproveitando as chances de contra-ataque, e ao final dos primeiros 45
minutos, o placar apontava um 0 X 0 sem emoções.
Começa
o segundo tempo e o Flamengo parte pra cima do Vasco mas sem chances, o
time estava com um buraco no meio de campo, e o Vasco aproveitava mas
não matava as chances de gol que teve, e o Flamengo também não
aproveitava as suas, a torcida do Flamengo dava o seu show a parte,
cantava o tempo todo, embalada por sambas da época, e pelo tradicional
grito de Meeeeeeeeeeeeeengooooooooooo,
meeeeeeeeeeeeeeeengoooooooooooooooo, a torcida a partir do meio do
segundo tempo se inflamou ainda mais e cantou sem parar, o time sentiu
essa energia e passou a atacar mais e mais ao Vasco, e eu no meio da
torcida do Vasco na arquibancada torcia muito mas não podia gritar o
nome do meu time, não podia gritar junto com a minha torcida e sofria
calado por isso, mas por estar ao lado do meu Pai mesmo nessa hora eu já
havia ganhado meu final de semana e só me restava torcer por um gol do
Flamengo para que o final de semana fosse realmente perfeito em todos os
sentidos.
Quase
no fim do jogo num ataque, o Júnior Capacete tenta um cruzamento para a
área e o Marco Antonio no desespero coloca a bola pra fora pela linha
de fundo, gerando um escanteio pro Flamengo.
O
Zico pega a bola pra bater o córner, ele não era o batedor, era o
artilheiro do time, tinha que estar na área para tentar o gol e sermos
campeões, mas Ele ajeita a bola, dá três passos para trás, corre e bate o
córner, no meio da área surge o nosso Deus da Raça, Rondinelli,
correndo e pulando surgindo do nada ele sobe mais que o Abel zagueiro do
Vasco, e cabeceia a bola que entra no ângulo do gol defendido pelo
Leão.
Eu
olho para a torcida do Flamengo e a vejo explodir e sem sentir
esquecendo o local em que eu estava assistindo ao jogo, também explodi
numa comemoração fanática, gritando Mengo, Campeão, Mengo sem parar, com
a ingenuidade de uma criança de 7 anos para a época, no meio da torcida
do Vasco em plena arquibancada do Maracanã, meu Pai berrando para eu
parar, ficar quieto, mas eu não me calei, gritei ainda mais alto, as
pessoas que nos cercavam viram que não havia maldade, viram que a culpa
era do meu Pai por ter me obrigado a ir ao jogo naquele lado do estádio e
nada fizeram, apenas assistiram a minha festa e a cara de preocupação
do meu Velho do que poderia acontecer com a gente por causa disso.
Assistimos
ao jogo até o final eu berrando, gritando é campeão, os torcedores ao
nosso lado depois de um tempinho começaram a rir e brincaram com meu Pai
dizendo que eu não tinha mais cura, que estava possuído, mas a minha
alegria era tão grande que nada iria me calar naquele dia.
Assisti
ao Zico levantar a taça de campeão, vi o Júnior abraçá-lo e carregaram a
taça juntos, o Rondinelli sendo exaltado e aclamado pela nação, o
Coutinho tendo seu nome consagrado em todo o Estádio, o Time do Flamengo
todo cantava o Hino do Clube junto com a torcida e festejava sem parar
em campo .
Por
precaução meu Pai decidiu que iríamos esperar a saída dos torcedores e
eu nem ai com isso festejava sem parar, gritando e cantando, quando ele
achou que estávamos seguros para sair fomos em direção a rampa e lá nos
encontramos com a torcida cantando e festejando e eu pela primeira vez,
ali na saída da arquibancada, na descida da rampa, cantei o hino e
gritei mennnnnnnnnnngoooooooooooooo pela primeira vez com a torcida, a
emoção foi indescritível, inesquecível, cantamos o hino juntos, e
campeão, 123 o bacalhau e freguês, e nesse ritmo fomos em direção a
saída.
No
caminho obriguei meu Pai a comprar minha primeira camisa do Flamengo, e
ai o pacote veio completo com camisa, faixa de campeão e bandeira que
tenho até hoje guardada, bem velhinha, mas guardada como o primeiro
troféu que ganhei em minha vida.
Ao
final do jogo já dentro do carro, com a bandeira na janela, meu Pai
olhou pra mim e me deu um beijo e um abraço e disse, " é Filhão não tem
jeito, você já nasceu rubro-negro, não tem como mudar, e você vai ser
fanático, torcedor de arquibancada, de ir a todos os jogos, é o teu
destino" .
Ao
final disso nos abraçamos novamente, e ai eu disse a ele, "tudo bem Pai
eu não vou mudar, mas dá tempo de você escolher o lado campeão, ainda
dá tempo de você virar Mengão e ir a todos os jogos comigo".
A
partir desse dia o Maracanã passou a ser nossa rotina aos domingos, e
lá íamos juntos escutando o rádio do carro antes e depois dos jogos e
quase sempre comemorando títulos e vitórias do Mengão.
É
por isso que afirmo sem sombra de dúvidas, quem é Flamengo não muda, já
nasce rubro-negro, já nasce com a pele e a alma rubro-negras, e
cantando sempre em alto e bom som Uma vez flamengo, Flamengo até Morre
Eu Sou !!!!!!!
Saudações rubro-negras a todos amigos e amigas
Abraços.

