30 de mai. de 2013

Porque sou Flamengo até morrer!!!


Boa noite amigos e amigas do Blog.

Muitos amigos e amigas me perguntam porque escolhi o Flamengo como time e porque sou tão fanático pelo Mais Querido do Mundo .

Para poder contar isso ao pé da letra retorno ao final dos anos 70, quando eu tinha 7 anos em 1978.

Eu já havia visto jogos do Flamengo na Rua Bariri, no campo do Bonsucesso, no campo da Portuguesa na Ilha do Governador, mas nunca tinha ido ao Maracanã e enchia o saco do meu pai para que ele me levasse ao Maraca, meu primo Guilherme também rubro-negro assim como meus Avós paternos Guilherme e Linda e meus Tios já tinham ido ver o Mengão no maior do mundo, porém eu estava só com as imagens narradas por eles em minha mente.

O ano foi passando o Flamengo havia ganhado o Primeiro Turno do Carioca, e se vencesse o Segundo Turno seria campeão direto sem a necessidade de jogos finais.

Então para minha alegria meu Pai decidiu que iríamos ver o jogo final do segundo turno entre Flamengo e Vasco no Maior do Mundo. 

A semana demorou a passar eu contei a todos amigos da rua e do colégio que iria ver o Flamengo no Maracanã que assistiria ao Zico em campo e assim torceria pro meu time e pro meu ídolo com mais alegria ainda.

Meu Pai Vascaíno doente, assim como meu velho e saudoso Vô Monteiro, também bacalhau fervoroso, fizeram de tudo durante minha infância para que eu fosse Vascaíno assim como eles porém não tiveram sucesso nessa empreitada, me deram camisas de presente que nunca usei, bolas, escudos, mas tudo ficava entocado num canto em que eu nunca mais iria mexer, era o canto dos brinquedos e roupas que a minha Mãe iria dar a outras crianças porque eu já não brincava ou as roupas não davam mais em mim.

Enfim chegou o tão sonhado dia, meu Pai passou lá em casa, me pegou fomos almoçar numa churrascaria, a gente sempre ia aos domingos, porque meu Pai era separado de minha Mãe então aos finais de semana passeávamos o tempo todo juntos, e fomos ao tão sonhado jogo no Maracanã .

Chegamos, meu Pai demorou muito para estacionar o carro, conseguimos a muito custo uma vaga e então fomos rumo as bilheterias do Maracanã.

Filas enormes, naquela época não tínhamos as comodidades de hoje, tais como internet, ingressos vendidos antecipadamente nos clubes, nada disso existia tínhamos mesmo que enfrentar as longas filas e a confusão gerada por isso para poder comprar nossos ingressos, conseguimos enfim as entradas e fomos em direção a entrada, pela rampa do Bellini.

Entregamos nossos ingressos a pessoa que estava na catraca e passamos, ao entrar fiquei maravilhado por estar no Maracanã, até então O Maior Estádio de Futebol do Mundo.

Subimos a rampa mas para meu desespero ao chegar na entrada das torcidas meu Pai decidiu ir para o lado Vascaíno, eu fui quase chorando queria estar no lado do Mengão, da torcida do meu time, mas fiquei calado e segui junto do meu Pai.

O Vasco jogava pelo empate para ganhar o Segundo Turno e assim ter o direito de fazer mais dois jogos finais que seriam contra o próprio Flamengo, e ao Mengão para ser campeão antecipado teria que ganhar o jogo por qualquer placar.

Esse jogão aconteceu no dia 03 de Dezembro de 1978, as 17 horas.

O Maracanã estava muito cheio, haviam mais de 120.000 mil pagantes e o jogo foi tenso, o Flamengo jogando no ataque e o Vasco recuado aproveitando as chances de contra-ataque, e ao final dos primeiros 45 minutos, o placar apontava um 0 X 0 sem emoções.

Começa o segundo tempo e o Flamengo parte pra cima do Vasco mas sem chances, o time estava com um buraco no meio de campo, e o Vasco aproveitava mas não matava as chances de gol que teve, e o Flamengo também não aproveitava as suas, a torcida do Flamengo dava o seu show a parte, cantava o tempo todo, embalada por sambas da época, e pelo tradicional grito de Meeeeeeeeeeeeeengooooooooooo, meeeeeeeeeeeeeeeengoooooooooooooooo, a torcida a partir do meio do segundo tempo se inflamou ainda mais e cantou sem parar, o time sentiu essa energia e passou a atacar mais e mais ao Vasco, e eu no meio da torcida do Vasco na arquibancada torcia muito mas não podia gritar o nome do meu time, não podia gritar junto com a minha torcida e sofria calado por isso, mas por estar ao lado do meu Pai mesmo nessa hora eu já havia ganhado meu final de semana e só me restava torcer por um gol do Flamengo para que o final de semana fosse realmente perfeito em todos os sentidos.

Quase no fim do jogo num ataque, o Júnior Capacete tenta um cruzamento para a área e o Marco Antonio no desespero coloca a bola pra fora pela linha de fundo, gerando um escanteio pro Flamengo.

O Zico pega a bola pra bater o córner, ele não era o batedor, era o artilheiro do time, tinha que estar na área para tentar o gol e sermos campeões, mas Ele ajeita a bola, dá três passos para trás, corre e bate o córner, no meio da área surge o nosso Deus da Raça, Rondinelli, correndo e pulando surgindo do nada ele sobe mais que o Abel zagueiro do Vasco, e cabeceia a bola que entra no ângulo do gol defendido pelo Leão.

Eu olho para a torcida do Flamengo e a vejo explodir e sem sentir esquecendo o local em que eu estava assistindo ao jogo, também explodi numa comemoração fanática, gritando Mengo, Campeão, Mengo sem parar, com a ingenuidade de uma criança de 7 anos para a época, no meio da torcida do Vasco em plena arquibancada do Maracanã, meu Pai berrando para eu parar, ficar quieto, mas eu não me calei, gritei ainda mais alto, as pessoas que nos cercavam viram que não havia maldade, viram que a culpa era do meu Pai por ter me obrigado a ir ao jogo naquele lado do estádio e nada fizeram, apenas assistiram a minha festa e a cara de preocupação do meu Velho do que poderia acontecer com a gente por causa disso.

Assistimos ao jogo até o final eu berrando, gritando é campeão, os torcedores ao nosso lado depois de um tempinho começaram a rir e brincaram com meu Pai dizendo que eu não tinha mais cura, que estava possuído, mas a minha alegria era tão grande que nada iria me calar naquele dia. 

Assisti ao Zico levantar a taça de campeão, vi o Júnior abraçá-lo e carregaram a taça juntos, o Rondinelli sendo exaltado e aclamado pela nação, o Coutinho tendo seu nome consagrado em todo o Estádio, o Time do Flamengo todo cantava o Hino do Clube junto com a torcida e festejava sem parar em campo .

Por precaução meu Pai decidiu que iríamos esperar a saída dos torcedores e eu nem ai com isso festejava sem parar, gritando e cantando, quando ele achou que estávamos seguros para sair fomos em direção a rampa e lá nos encontramos com a torcida cantando e festejando e eu pela primeira vez, ali na saída da arquibancada, na descida da rampa, cantei o hino e gritei mennnnnnnnnnngoooooooooooooo pela primeira vez com a torcida, a emoção foi indescritível, inesquecível, cantamos o hino juntos, e campeão, 123 o bacalhau e freguês, e nesse ritmo fomos em direção a saída.

No caminho obriguei meu Pai a comprar minha primeira camisa do Flamengo, e ai o pacote veio completo com camisa, faixa de campeão e bandeira que tenho até hoje guardada, bem velhinha, mas guardada como o primeiro troféu que ganhei em minha vida.

Ao final do jogo já dentro do carro, com a bandeira na janela, meu Pai olhou pra mim e me deu um beijo e um abraço e disse, " é Filhão não tem jeito, você já nasceu rubro-negro, não tem como mudar, e você vai ser fanático, torcedor de arquibancada, de ir a todos os jogos, é o teu destino" .

Ao final disso nos abraçamos novamente, e ai eu disse a ele, "tudo bem Pai eu não vou mudar, mas dá tempo de você escolher o lado campeão, ainda dá tempo de você virar Mengão e ir a todos os jogos comigo".

A partir desse dia o Maracanã passou a ser nossa rotina aos domingos, e lá íamos juntos escutando o rádio do carro antes e depois dos jogos e quase sempre comemorando títulos e vitórias do Mengão.

É por isso que afirmo sem sombra de dúvidas, quem é Flamengo não muda, já nasce rubro-negro, já nasce com a pele e a alma rubro-negras, e cantando sempre em alto e bom som Uma vez flamengo, Flamengo até Morre Eu Sou !!!!!!!

Saudações rubro-negras a todos amigos e amigas

Abraços.

Cláudio - Poeta Fratello