26 de jul. de 2013

Libertação do Galo

Estava tudo escrito. Acontecesse o que acontecer, o Atlético Mineiro seria campeão da Libertadores da América, pela primeira vez em sua história. Foi justo, de forma incontestável, venceu o melhor time da competição, em números e no futebol demostrando em campo. Quanto mais difícil ficava, mais o atleticano acreditava, a fé de Cuca parecia ter sido alastrada para cada torcedor e jogador do Galo. O "Eu acredito!" ecoava nas bocas atleticanas na mesma frequência daquele tradicional grito, em alto e bom som de "Galo!". Assim, como a frase "YES, WE C.A.M.", fazendo uma adaptação da famosa citação com as iniciais do clube. Ideia fantástica.

Zagueiro e capitão Réver, Ronaldinho e Diego Tardelli, o trio foi fundamental para a conquista


Provavelmente nem o melhor roteirista dos filmes norte-americanos poderia escrever uma história tão dramática, emocionante e épica, como a do Galo nessa Libertadores. Quando a coisa parecia ir por água abaixo, sempre havia algo para impedir qualquer fatalidade. Sim, o título atleticano era inevitável, viria de qualquer jeito, como eu disse na primeira frase, estava escrito.

Bem como dizia o lendário, ex-técnico, Oswaldo Brandão: "Todo campeão tem que ter sorte". E a tão falada "sorte de campeão" andou lado a lado. Qual explicação em dar ao ver tantos fatores que conspiraram à favor do time de Cuca ? No primeiro jogo das oitavas de final, no Morumbi, Ademílson, atacante são paulino, perde uma grande chance, quando o jogo já estava 1 a 0 para o São Paulo, e logo depois disso, ainda sai machucado, para a entrada de Aloísio, que também se machuca durante o segundo tempo. Sem contar a expulsão de Lúcio, justa por sinal, ainda na primeira etapa. Na primeira partida das quartas de final, contra o Tijuana, no México, tudo se caminhava para uma derrota, que complicaria as coisas para o jogo da volta. Mas eis que entra o garoto bom de bola que veio da Ponte Preta, Luan, para empatar aos 46 do segundo tempo. No jogo da volta, no Independência, aparece o pé de Victor (foto) para impedir o gol de penalidade que classificaria o Tijuana, era praticamente o último lance do jogo. Nas semifinais, mais uma vez a situação parecia inviável, após a derrota por 2 a 0, para o Newell's Old Boys, na Argentina. A volta, no Horto, foi palco de uma classificação heroica. O apagão amigo que iluminou toda a equipe, inclusive, o autor do gol que levaria a decisão da vaga para os pênaltis, Guilherme, curiosamente ex-jogador do Cruzeiro. Na disputa de penalidades máximas, o Galo perdeu duas cobranças, e o Newell's não conseguiu aproveitar, desperdiçando suas oportunidades de passar a frente. Na quinta cobrança do time argentino, mais uma vez lá estava Victor, que defendeu a cobrança de Maxi Rodrigues, e colocou o Atlético pela primeira vez na final da Libertadores.

A decisão era contra o tradicional e copeiro Olímpia, do Paraguai, tricampeão da competição. Mais uma vez, parecia que não seria a hora do galo ainda. Mais uma derrota por 2 a 0 fora de casa. A volta, dessa vez foi no Mineirão, outro ingrediente pra causar ainda mais apreensão ao capítulo final dessa linda história. Afinal, "caiu no Horto tá morto'. Mas acredito que pela importância desse jogo, a escolha do Mineirão foi acertada. 

  Leonardo Silva, Rosinei e Réver, hora de puxar o grito de campeão

 O primeiro tempo terminou como começou, em branco, jogo tenso, duro. Logo no primeiro minuto da segunda etapa, Jô aproveitou falha do zagueiro, e mandou pra rede. O segundo gol só veio aos 41, com a cabeça iluminada de Leonardo Silva. Na prorrogação, talvez o lance que mais intrigou à todos nessa Libertadores, foi o incrível escorregão de Ferreira, jogador do Olimpia, após ter passado por Victor. Seria o gol do título paraguaio. Mais uma vez a sorte de campeão ao seu lado. O Atlético buscava incessantemente o gol, que não veio. Novamente estavam os pênaltis no caminho do Galo e de Victor, porque iria ser diferente ? E não foi, o roteiro da decisão teria o mesmo desfecho que teve naquela semifinal, com o Atlético saindo vitorioso, dessa vez, melhor ainda, com o título. Primeira cobrança do Olimpia, e mais uma vez o pé de Victor estava lá, o preto de sua chuteira prevaleceu. Depois disso, todos acertaram suas cobranças. Na última penalidade paraguaia, o ato final, foi a vez dela agir, a trave, brilhou o branco. Preto e branco, as cores do Clube Atlético Mineiro.

                                      Cuca, o técnico que colocou o Galo no topo da América              

O Atlético se libertou de todos os paradigmas cruéis. Como "cavalo paraguaio", time amarelão, etc... Assim como seu técnico, injustamente chamado de azarado, pé-frio, por aí vai. A libertação do Galo ocorreu da forma mais original possível à suas tradições. Suado, dramático, na garra. Em toda sua saga, jogou com muita raça, contagiado pelo amor de sua torcida, a "massa", como é conhecida, vibrou com alegria em todas as vitórias. O time retribuiu em campo, honrou o nome de Minas, colocando a cidade em destaque no cenário esportivo mundial, lutou, lutou, lutou, e foi mais do que nunca, forte e vingador.

Por Pablo Arruda, em 26/07 às 05h:55.