17 de abr. de 2014

O que Impera?


Muito tem se dito sobre a saída de Adriano do Atlético. Versões é o que não faltam.

Entre as oficiais, de um lado o clube alega que Adriano “contaminou” o vestiário, que já não era dos mais harmônicos. O imperador, por sua vez, é só elogios ao clube e diz ter cumprido a sua missão. Apesar de antagônicas, ambas versões estão corretas, eram mais do que esperadas e justificam a saída do atacante.

O mundo inteiro sabe qual é o modus operandi de Adriano e o Atlético assumiu o risco, considerando que o benefício seria muito maior que o custo. E, até certo ponto, foi. Projetou mais uma vez o nome do clube no cenário mundial, tirou (até certo ponto, também) o foco das complicadas obras na Arena da Baixada e injetou na torcida, desinformada e desmotivada, um misto de esperança e orgulho às vésperas de uma libertadores onde o clube entrava como franco atirador. Além disso, e talvez o fator mais importante de todos, foi a reafirmação em âmbito mundial do CT do Caju como referência em estrutura de treinamento e recuperação física de atletas de futebol. O contraponto disso tudo foi que o jeitão malandro do jogador e todo o circo de vaidades criado ao seu redor enfraqueceu ainda mais o vestiário, que já estava frágil desde a saída de Vagner Mancini e ficou pior com a chegada do “inovador” Miguel Angel Portugal e sua equipe. De todo modo, aos olhos dos mais otimistas, a passagem de Adriano pelo Atlético foi positiva para o clube.

Dentro de campo, pouco se esperava dele. Ainda assim, o técnico espanhol poderia ter explorado mais sua participação nos jogos, até para motivar novamente os atacantes do elenco, que fizeram sucesso na temporada passada mas ainda não acordaram em 2014. Na segunda partida que jogou como titular, o atacante conseguiu fazer o gol que deu sobrevida ao time no derradeiro jogo da libertadores. O grande mérito da jogada foi do Marcelo, que deu o passe na medida, mas ao final do jogo, mesmo com a justa desclassificação, confesso que cheguei a acreditar num futuro mais promissor da parceria de Adriano com rubro-negro. Doce ilusão....bastou a Anitta fazer um show em Curitiba e tudo foi por águar (vodca, água de coco...tanto faz) abaixo.

Na ótica do jogador, não é de se estranhar que ele seja só elogios a sua estada no Atlético. Além da estrutura física de primeiro mundo, Adriano encontrou em Curitiba o isolamento necessário para não perder o foco da recuperação, era blindado pela diretoria e tinha nos colegas de elenco uma legião de fãs, ou seja, era tratado com toda a pompa e circunstância que uma celebridade exige. O corpo e o ego agradeceram.

Graças à Curitiba e ao Clube Atlético Paranaense o Imperador Adriano se diz “pronto” para voltar a jogar bola.

Quem viver, verá...

Por: Fabiano Gomes do Vale