Faltando duas semanas para o começo da Copa do Mundo, muito se fala das seleções que foram campeãs, e não se fala quase nada das más atuações do Brasil em Copas passadas (com exceção do Maracanazo). Vim falar sobre a pior participação do Brasil em Copas do Mundo, em 1934, quando o campeonato foi totalmente parcial a seleção da casa, tendo uma grande influência política.
A Copa de 1934 foi marcada por ser a primeira em que as seleções tiveram uma eliminatórias (tiveram que se classificar para o Mundial). A campeã Itália foi claramente favorecida pelo regime fascista de Benito Mussolini, que tinha como objetivo, transformar a Copa em uma propagando política. Entre alguns casos polêmicos, o mais conhecido foi o encontro do político com o árbitro da semifinal e final, Ivan Eklind, que tomou decisões irregulares a favor da Itália, que garantiram o título de campeã daquele ano, conquistando seu primeiro título. A vice-campeã foi a Checoslováquia, que perdeu a decisão por 2-1. Duas curiosidades marcaram a Copa: o campeão do ano anterior, Uruguai, rejeitou o convite de participar da competição como protesto sobre o boicote dos europeus um ano antes, quando participaram apenas Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia, tornando-se o único defensor de título que não jogou a Copa do Mundo seguinte e a seleção italiana teve que passar pelas eliminatórias para a classificação, sendo a única vez que um país sede teve que se classificar para um Mundial.
O modelo foi no mata a mata, com as oitavas sendo definidas por sorteio. A maioria das seleção eram europeias. Participaram doze seleções da Europa: Áustria, Checoslováquia, Alemanha, Hungria, Itália, Espanha, Suécia, Suíça, França, Romênia, Bélgica e Holanda; duas seleções sul-americanas: Brasil e Argentina; uma seleção norte-americana: Estados Unidos; e uma africana: Egito (apenas seleções europeias passaram para as quartas de finais). Nessa Copa foi onde ocorreu o primeiro jogo-desempate, pois não havia disputa de pênalti (com o empate em 1-1 entre Itália e Espanha, vencendo no segundo jogo, a Itália, por 1-0).
A seleção brasileira foi prejudicada principalmente pela briga que tinha entre as federações de São Paulo e do Rio de Janeiro. Tiveram casos como o dos jogadores do Palestra Itália: Romeu, Lara, Gabardo, Junqueira e Tunga foram escondidos dentro de um sitio, em Matão, São Paulo, para não serem convocados pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos). O local foi cercado por policiais armados. Um diretor do Palestra Itália transferiu os jogadores para a sua casa de praia. Apesar dos problemas, tiveram algumas heranças daquela Copa, sendo a principal a do atacante Waldemar de Brito, que ficou conhecido, não pela sua participação no Mundial, mas por ter um jovem para jogar no Santos em 1945, Pelé.
O técnico do Brasil era Luis Vinhaes, que convocou os jogadores: Germano e Pedrosa para o gol, na zaga Luiz Luz, Octacílio e Sílvio, os meio campistas Ariel, Canalli, Martim Silveira, Tinoco e Waldri, e os atacantes Waldemar de Brito, Patesko, Leônidas da Silva, Carvalho Leite e Armandinho. O destaque clubístico foi o Botafogo, que teve 8 jogadores convocados para a ocasião.
O Brasil disse adeus a Copa logo na primeira partida, perdendo para a Espanha por 3-1 e sendo eliminada, no Stadio Luigi Ferraris, em Gênova. O único gol brasileiro foi marcado por Leônidas. “Aproveitando a eliminação, a seleção brasileira disputou outros dois amistosos, contra a Iugoslávia, perdendo por 8-4 e Grandjanski, empatando em 0-0.
