7 de mai. de 2014

Roger Milla, o Pelé afriacano

Apesar de aparecer no cenário Mundial somente a partir dos 30 anos, Roger Milla era bastante conhecido na África e principalmente no Camarões, onde ganhou o apelido de Pelé. Quando garoto, teve alguns problemas para jogar bola devido ao fato de se mudar bastante, por causa do trabalho de seu pai. Seu primeiro contrato foi aos 18 anos no Leopard de Douala. No clube conquistou duas vezes seguida o campeonato camaronês, nos anos de 1972 e 1973, sendo a última liga nacional conquistada pelo clube desde então. Em 1974 foi comprado pelo Tonerre onde venceu a Copa dos Camarões e pela primeira vez surgiu no cenário continental, vencendo a Recopa Africana. As atuações de Milla no torneio, lhe deram o reconhecimento que precisara para jogar na Europa, a revista France Football lhe premiou como o melhor jogador africano do ano.



As atuações nos clubes de Camarões renderiam para Milla a oportunidade de expandir seu nome e jogar na Europa. Começava-se uma carreira de 10 anos no futebol francês, que mesmo com títulos, não chegou nem perto de ser a mesma nos clubes de seu país. Os grandes problemas de Milla foi o banco de reservas, a falta de oportunidade e as constantes lesões. Em 1977 jogava pelo seu primeiro time na Europa, o Valenciennes onde jogou de 1977 até 1979. Roger Milla conseguiu conquistar novamente dois títulos nacionais consecutivos, mas com times diferentes. No Mônaco onde passou a grande parte entre o banco de reserva e o departamento médico, conquistou a Copa da França de 1980 e no Bastia onde foi decisivo para o campeonato de 1981.
Na seleção foi onde Roger Milla teve seu maior reconhecimento. Fez história com o Camarões quando marcou 6 gols nas eliminatórias e levou a seleção para a o Mundial na Espanha. Na Espanha, Camarões conseguiu 3 empates nas fases de grupos, 0-0 com Polônia e Peru e 1-1 com a Itália, quase desclassificando a Azurra, que passou por saldo de gols. De 1984 a 1988, Roger brilhou na Copa Africanas de Nações conseguindo conquistar 2 títulos e chegar aos pênaltis em uma final. Em 1984, Camarões levantava a primeira taça da Copa Africana de Nações, após uma vitória de 3-1 sobre a Nigéria. Em 1986 ficou em segundo lugar, perdendo nos pênaltis para o Egito, na final. Em 1988 levantou o segundo caneco.
Durante as conquistas pela seleção, Roger Milla conseguiu aparecer no cenário do futebol francês, jogando pela segunda divisão, no Saint- Etienne, marcando 22 gols em 31 partidas de duas temporadas, ajudando o clube a se reerguer. Terminou sua trajetória em clubes pelo Montpellier, somando 152 gols marcados em uma década de futebol jogado na França.
Roger Milla não iria jogar a Copa do Mundo de 1990. O jogador tinha anunciado sua saída da seleção, despedida, após o título pela Copa Africana de Nações, porém, os problemas internos fizeram com que o craque voltasse para ser o jogador mais velho a disputar uma Copa do Mundo. Na fase de grupos tinha a campeã Argentina, Romênia e URSS. Venceu uma Argentina rodeada de estrelas por 1-0, no San Siro, quando ninguém acreditava neles naquela fase de grupos e venceram a Romênia por 2-1, garantindo a classificação para a próxima fase com um jogo de antecedência.  Camarões e Roger Milla se destacaram em meio a uma copa muito democrática, que teve poucos gols, sendo consideradas uma das piores do Mundo, não pelo nível dos jogadores, mas de como ela é foi jogada. No último jogo da primeira fase tomaram uma goleada para a URSS por 4-0. Nas oitavas de finais, Milla entrou apenas na prorrogação, decidindo o jogo contra a Colômbia com dois gols, resolvendo o jogo em dois tempos, que terminou em 2-1 para o Camarões. Entrava ali para a história, Camarões, sendo a primeira seleção a conseguir pôr um time da África entre os oito melhores de um Mundial. A eliminação foi dramática, com os jogos nas mãos tomou um gol no finalzinho levando o jogo para a prorrogação. A Inglaterra marcou o primeiro gol, e no segundo tempo, com a entrada de Milla, o jogo tinha mudado completamente. Camarões virou com um pênalti sofrido por Milla e uma assistência. Quando todos vinham os leões nas semifinais, a Inglaterra empatou e virou, logo na prorrogação, eliminando a melhor seleção de Camarões.