9 de jul. de 2014

2014: um vexame predestinado


Antes de começar, quero deixar claro que esse texto não tem a menor finalidade de explicar o vexame do Brasil contra a Alemanha, mas sim, durante a Copa toda. Afinal, caímos apenas na semifinal, porém, nossa campanha foi pífia. Sermos eliminados agora, de certa forma, foi lucro.

Não tem como não falar da partida, então esse será o único parágrafo dedicado a ela. Quando você é inferior à outra equipe, a tendência natural das coisas é jogar mais fechado, apostando em contra-ataques, lutando por uma bola. Que seja. Assim, por exemplo, Gana e Argélia deram sufoco na própria Alemanha. Não se tenta jogar de igual para igual com um time melhor que você. Ainda mais sem seu craque. A soberba de Felipão não permitiu que jogássemos assim. O resultado vocês já sabem. E, agradeçam aos alemães, pois se não fosse a tirada de pé com 30 minutos do primeiro tempo, cabia 10, 12, 15.

Sobre o predestinado do título, é fácil de explicar. Talvez, 2002 tenha sido a última Seleção Brasileira forte o suficiente para entrarmos em campo favoritos. Independente do adversário. Já em 2006, ainda tínhamos alguns craques no time, mas mesmo assim não deu. Desde então, o futebol brasileiro começou seu declínio. Profundo, infelizmente. A culpa? De todo mundo. Clubes, jogadores, técnicos, CBF. O país do futebol não é o mesmo e nem perto dele mais. A mística acabou.

Não há investimentos dos clubes e das instituições para revelarmos novos craques. A prova disso é que em 2010 a esperança do Brasil era Neymar e Ganso. De lá, até 2014, não conseguimos mais ninguém. Pior, perdemos Ganso. São 4 anos depositando todas as esperanças em apenas um jogador. Que país do futebol é esse? O que o senhor José Maria Marín entende de futebol para ser o presidente da CBF? O que Felipão fez recentemente para ser o técnico da Seleção? O que fez Julio César para ser nosso camisa 1? O que fez o Fred para ser nosso camisa 9 de forma incontestável? Esse, ainda há uma justificativa: só tem ele. Preocupante, não?

Antes de começar a Copa, o Parreira chegou a declarar que o Brasil estava com a mão na taça. Mas peraí, por quê? Durante a competição, enquanto outras seleções se matavam de treinar, com treinamentos físicos e táticos, a Seleção Brasileira ficava na base do rachão, treino recreativo, regenerativo, em apenas um período e olhe lá. Mais um ponto para a soberba.

O futebol brasileiro precisa urgente passar por uma reformulação. O Brasil precisa voltar a revelar craques constantemente e não esporadicamente. Caso contrário, continuaremos com esse futebol pobre que apresentamos nos últimos anos e jogaremos apenas com a camisa, o que, hoje, já não faz tanta diferença. Crianças da Sadia, eu espero que vocês vejam um título Mundial antes de se tornarem adultas. Fé!

Por: Matheus Leal
Twitter: @matheusleal1