30 de jul. de 2014

Efeitos de um eterno craque

Em 2011, o Atlético lutou até o fim para não ser rebaixado, ficando 15 rodadas, de 38, na zona de rebaixamento. A queda foi evitada na penúltima rodada e naquela altura do campeonato era algo de se comemorar. Mas como os atleticanos dizem: "se não for sofrido, não é Galo". Como efeito da nova regra da CBF - os clássicos serem realizados na última rodada para não haver "corrupção" - as duas grandes equipes mineiras iriam se enfrentar na 38° rodada, com chance real da equipe celeste ser, pela primeira vez em sua história, rebaixada para a segundona. Com os estádios de BH interditados, restou a Arena do Jacaré para ser palco de um episódio histórico.
Meus amigos, no futebol tudo é possível. Com o placar elástico, o Cruzeiro venceu o Galo por 6 a 1 e escapou do inédito rebaixamento. Placar que até hoje rende piadas e provocações. A torcida pressionou e nem mesmo o campeonato estadual de 2012 foi suficiente para mudar isso. Quis o destino que um ídolo em baixa viesse para um Clube desacreditado para, ao menos, mostrar a essa geração fanática, devo acrescentar, de atleticanos como é o desfrutar de um título.
Então no dia 4 de Julho de 2014 o craque Ronaldinho Gaúcho se apresentou sem nenhuma festa à cidade do Galo. Até então era acostumado a estádios cheios para uma bonita recepção. Desta vez foi diferente. Havia até torcedores que contestavam a vinda dele para o clube. Mal sabiam que ali a história estaria sendo mudada.
Nessa mesma temporada o Galo conquistou o vice-campeonato Brasileiro e conseguindo depois de anos o acesso à Libertadores. No início de 2013 o craque Diego Tardelli foi apresentado a equipe mineira e se juntou a Bernard, Ronaldinho e Jô.
Na primeira fase da competição continental o craque mostrou que sua presença no clube não era próspera somente em campo, mas também fora dele. E mostrou isso nas viagens no continente sul-americano, onde teve festa por onde passou. Bolivianos , Argentinos e Mexicanos ficaram lisonjeados pela presença do eterno Gaúcho.
Mas a sua passagem ao alvinegro merecia muito mais que um vice-campeonato e status ao Clube. Precisava de um título de expressão para entrar para a história. E veio...
Com uma primeira fase quase perfeita, o time mineiro se classificou como primeiro geral e chegando nas oitavas em alta, mas com uma "pedreira" pela frente. Iria enfrentar o tricolor do Morumbi, que estava mexido com as provocações do último jogo da fase de grupos onde o São Paulo venceu e se classificou para a próxima fase, no primeiro jogo, no Morumbi, o camisa 10 empatou o jogo e Tardelli virou. 2 a 1. No jogo da volta, no Independência, o Horto virou um inferno e o Atlético passou um rolo compressor por cima do São Paulo apático.
Chegou nas quartas como grande favorito e foi ai que o futebol contagiante deu uma apagada considerável. E é na hora da pressão que os craques aparecem, 2 a 2 no México e depois o histórico 1 a 1 em BH.
Nas semi não foi diferente. Outra pedreira. Agora do lado inimigo da fronteira.. Os Argentinos. Com um passe excepcional deixou Bernard na cara do gol para abrir o placar. E na final... ah, a final. Ali os atleticanos fizeram seus testes cardíacos de graça, sem entrar na fila do SUS. Foi ali que o Atlético se consagrou campeão da América e colocou todos na história do clube.
Era um título que o desacreditado Atlético-MG precisava e o multi-campeão Ronaldinho também.
Depois do título, vieram as baixas, o Galo vive uma ressaca até hoje, mesmo após o recente título da Recopa. Mas todos os atleticanos são gratos à este craque, rei, fenômeno camisa 10.
Muito obrigado, Ronaldinho. Por mudar a história do Clube Atlético Mineiro.

 Por: Rafael Requeijo
Twitter: @rafaelrequeijo_