Esse time era o Grêmio. Venceu o jogo válido pela última rodada do quadrangular final da segunda divisão. Seu adversário era o Náutico, no Estádio dos Aflitos. Subiam apenas dois clubes para a Série A. O Grêmio era o líder do quadrangular, mas caso perdesse para os pernambucanos, permaneceria na Série B, já que o próprio Náutico ultrapassaria o clube gaúcho, assim como o Santa Cruz, que viria a vencer a Portuguesa.
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| Jogadores do Grêmio reunidos no gramado dos Aflitos. |
Era um jogo naturalmente tenso, com ingredientes extra-campo, a torcida compareceu em peso e empurrava o time da casa. Ainda no primeiro tempo, o primeiro pênalti marcado. Cobrança realizada, e a bola caprichosamente bateu na trave e foi para fora. Foi um susto, mas que não era nada, perto do que estava por vir.
No segundo tempo, aos 33 minutos, a primeira expulsão: o lateral-esquerdo chileno Escalona, que era muito esforçado, uma espécie de versão piorada do nosso atual titular da lateral-direita, Pará, levou o segundo cartão amarelo por colocar a mão na bola. A situação já ficava mais complicada com um a menos, mas o pior estava por vir. Dois minutos depois, o segundo pênalti foi marcado. Um pênalti ridículo, uma bola na mão assinalada pelo folclórico e já na época reconhecido como péssimo árbitro, o senhor Djalma Beltrami, e aí tudo pareceu ir por água abaixo.
A confusão estava armada, muita reclamação, até que o lateral-direito Patrício deu um "peitaço" no juiz, o zagueiro Domingos tentou dar um chute no árbitro, e junto com o volante Nunes, esse último por reclamação, foram os três expulsos de campo. A polícia entrou em ação para proteger o juiz, e o jogo iria recomeçar com um pênalti a ser batido pela equipe do Náutico.
O torcedor gremista é dotado de esperança até o último segundo de jogo, da crença no impossível, no improvável. Por que o Grêmio é um dos únicos times no MUNDO capaz de realizar coisas impossíveis e improváveis. Apesar disso, eu desacreditei. Não conseguia mais olhar para a televisão, chorava feito um bebê, imaginando já outra temporada amargando a segunda divisão. Então eu ouvi o narrador gritar "Galatto!", e se eu já chorava antes, comecei a chorar mais ainda após. Fiquei de joelhos e não acreditava no que presenciava.
Mas a partida não havia terminado. Ainda era preciso resistir com quatro jogadores a menos. E então a imortalidade apareceu, coisas que só um time como o Grêmio é capaz de fazer. O Grêmio fez um gol. O Grêmio estava se sagrando campeão da Série B, com apenas sete jogadores em campo! Eu duvido que exista um torcedor gremista que não tenha chorado naquele dia, naquele jogo. Foi o dia em que mais chorei, em toda a minha vida, mas foi um choro de alegria.
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| 61 minutos de jogo (isso mesmo, 61!), e o gol da vitória marcado por Anderson. |
Existem coisas na vida que não tem explicação. E no futebol não é diferente. E essas coisas sem explicação, só o Grêmio é capaz de fazer. Um dia que jamais será igualado, uma façanha que jamais será igualada, ocorreu, a exatos nove anos atrás, e como diz o hino rio-grandense: "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra".
@RenanDelari

