26 de nov. de 2014

Há nove anos, o mundo presenciava uma das maiores façanhas da história do futebol

   Nove anos atrás, dia 26 de novembro de 2005, um dos maiores clubes brasileiros estava fazendo história, vencendo uma partida com quatro homens a menos em campo e dois pênaltis contra, na casa do adversário, reconquistando uma vaga na primeira divisão do campeonato nacional.
   Esse time era o Grêmio. Venceu o jogo válido pela última rodada do quadrangular final da segunda divisão. Seu adversário era o Náutico, no Estádio dos Aflitos. Subiam apenas dois clubes para a Série A. O Grêmio era o líder do quadrangular, mas caso perdesse para os pernambucanos, permaneceria na Série B, já que o próprio Náutico ultrapassaria o clube gaúcho, assim como o Santa Cruz, que viria a vencer a Portuguesa.

Jogadores do Grêmio reunidos no gramado dos Aflitos.

   Era um jogo naturalmente tenso, com ingredientes extra-campo, a torcida compareceu em peso e empurrava o time da casa. Ainda no primeiro tempo, o primeiro pênalti marcado. Cobrança realizada, e a bola caprichosamente bateu na trave e foi para fora. Foi um susto, mas que não era nada, perto do que estava por vir.
   No segundo tempo, aos 33 minutos, a primeira expulsão: o lateral-esquerdo chileno Escalona, que era muito esforçado, uma espécie de versão piorada do nosso atual titular da lateral-direita, Pará, levou o segundo cartão amarelo por colocar a mão na bola. A situação já ficava mais complicada com um a menos, mas o pior estava por vir. Dois minutos depois, o segundo pênalti foi marcado. Um pênalti ridículo, uma bola na mão assinalada pelo folclórico e já na época reconhecido como péssimo árbitro, o senhor Djalma Beltrami, e aí tudo pareceu ir por água abaixo.
   A confusão estava armada, muita reclamação, até que o lateral-direito Patrício deu um "peitaço" no juiz, o zagueiro Domingos tentou dar um chute no árbitro, e junto com o volante Nunes, esse último por reclamação, foram os três expulsos de campo. A polícia entrou em ação para proteger o juiz, e o jogo iria recomeçar com um pênalti a ser batido pela equipe do Náutico.
   O torcedor gremista é dotado de esperança até o último segundo de jogo, da crença no impossível, no improvável. Por que o Grêmio é um dos únicos times no MUNDO capaz de realizar coisas impossíveis e improváveis. Apesar disso, eu desacreditei. Não conseguia mais olhar para a televisão, chorava feito um bebê, imaginando já outra temporada amargando a segunda divisão. Então eu ouvi o narrador gritar "Galatto!", e se eu já chorava antes, comecei a chorar mais ainda após. Fiquei de joelhos e não acreditava no que presenciava.
   Mas a partida não havia terminado. Ainda era preciso resistir com quatro jogadores a menos. E então a imortalidade apareceu, coisas que só um time como o Grêmio é capaz de fazer. O Grêmio fez um gol. O Grêmio estava se sagrando campeão da Série B, com apenas sete jogadores em campo! Eu duvido que exista um torcedor gremista que não tenha chorado naquele dia, naquele jogo. Foi o dia em que mais chorei, em toda a minha vida, mas foi um choro de alegria.

61 minutos de jogo (isso mesmo, 61!), e o gol da vitória marcado por Anderson.

   Existem coisas na vida que não tem explicação. E no futebol não é diferente. E essas coisas sem explicação, só o Grêmio é capaz de fazer. Um dia que jamais será igualado, uma façanha que jamais será igualada, ocorreu, a exatos nove anos atrás, e como diz o hino rio-grandense: "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra".

@RenanDelari