Se existe algo no futebol que nunca será apagado é a máxima de que nada como um ano após o outro. Seu time pode ter sido praticamente perfeito em um ano e no outro o torcedor, passional que é, esquece de tudo e juntamente com a má fase do time começa a achar problemas no então super elenco do clube.
Esse mal citado acima vem atormentando a vida do atual bicampeão brasileiro. O Cruzeiro depois de dois anos brilhantes, chegou a 2015 com respeito e admiração de todos os clubes do país. Passados dois meses e meio, o time atualmente passa por momentos de turbulência oriundo principalmente da diretoria do clube que vem acumulando fracassos e mais fracassos seja em negociação com Federação Mineira ou na procura de um jogador para atuar no meio campo.
Isto tudo começou no fim de 2014 quando o até então vitorioso diretor de futebol Alexandre Mattos definiu que não renovaria contrato com o Cruzeiro. Foram várias as justificativas para a sua saída, mas uma delas chamou atenção. Mesmo com o sucesso do clube, o presidente Gilvan de Pinho Tavares revelou ao dirigente a necessidade de cortar gastos para o ano que se aproximava, o que deixou Mattos descontente, levando a sair do Cruzeiro e a procurar um time que investisse na equipe. Achou o Palmeiras e o time que montou conseguiu se encaixar e vai disputar a final do Paulista.
Sem um diretor de futebol, Gilvan tomou as rédeas das negociações dos jogadores. Vendeu as principais peças do time: Ricardo Goulart, Lucas Silva, Nilton, Éverton Ribeiro e por fim, não comprou o passe de Marcelo Moreno que retornou ao Grêmio. Com um time desfigurado, houve a necessidade de ir ao mercado a procura de jogadores que estivessem aptos a serem titulares no Cruzeiro.
Chegaram cerca de 15 jogadores, mas sem nenhum planejamento. Duas contratações foram bem avaliadas: a chegada por empréstimo junto ao Santos de Leandro Damião e da aquisição do meia-armador Giorgian De Arrascaeta, do Defensor-URU. O volante Willians se destaca em alguns jogos, mas assim como as demais contratações, precisam mostrar mais para honrarem a camisa celeste.
A montagem do novo time foi demorada e na pré-temporada alguns jogadores foram chegando e juntamente com as lesões, atrapalharam bastante a formação de uma nova equipe com toques de bola rápidos e um entrosamento idêntico ou parecido com as equipes vencedores de 2013 e 2014. Com o desenrolar do ano, houve um consenso que era necessário a contratação de mais um armador para o time. Depois de vários nomes e de muitas frustrações, a diretoria já admite trazer este jogador não mais para a segunda fase da Libertadores, mas apenas para a disputa do Brasileirão 2015.
Com as atuações irregulares dentro das quatro linhas, a diretoria do Cruzeiro também não vem desempenhando muito bem o seu papel influenciando diretamente na equipe celeste. Na tentativa de antecipar jogos da Libertadores e do Campeonato Mineiro, foram em vão, já que os pedidos não foram aceitos pela Conmebol e pela Federação Mineira. Isto obrigou o time, por duas vezes seguidas, a disputar duas partidas em menos de 72 horas. O jogo de ida da semifinal do Campeonato Mineiro foi no domingo, dia 12, e o jogo contra o Huracan, pela Libertadores, foi no dia 14. Esta semana acontecerá o mesmo. O time se apresentou no domingo, na derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG e nesta terça, 21/02, jogo decisivo contra o Universitário de Sucre-BOL pela Libertadores.
Todas estas situações poderiam ser evitadas se o departamento de futebol tivesse um diretor experiente que conseguisse administrar o elenco, juntamente com o treinador. Atualmente no clube mineiro este cargo está vago deste a saída de Alexandre Mattos, deixando a administração do futebol celeste uma verdadeira bagunça. E por isso que peço com veemência. Arruma a casa, Cruzeiro.