No país do futebol, quando a situação não anda bem nos gramados, a solução mais conhecida e de maior apelo é a demissão do comandante. Normalmente, eles são despedidos após uma sequência de maus resultados ou derrotas em jogos importantes ou clássicos regionais. A paciência é curta e o tempo de trabalho que os profissionais têm a frente das equipes também. Poucos conseguem atingir mais de dois anos consecutivos de trabalho.
Recentemente, o jornal mexicano "El Economista" realizou um estudo nas mais importantes ligas de futebol do mundo e constatou que o futebol brasileiro é o que mais realiza troca de técnicos. De acordo com o estudo, um treinador costuma ficar em média 1,6 temporada em um time antes de ser demitido. No Brasil, essa média cai para 0,4 competição, ou seja, cerca de 15,2 jogos até ser demitido. Números que ilustram a situação do futebol brasileiro.
Nesse quesito de troca e demissão de comandantes, o Flamengo tem uma vasta experiência. O rubro-negro carioca realizou 37 trocas nos últimos 15 anos, totalizando 38 técnicos desde 2000. Uma média de quase três treinadores por temporada. A nova gestão prometeu não cair nessa, mas desde que assumiu já efetuou sete trocas de comando em 29 meses. A última delas, há pouco, quando demitiu Vanderlei Luxemburgo e contratou Cristóvão Borges.
Trocas x Títulos
De 2000 pra cá, o Fla trocou de técnico em 37 oportunidades e conquistou onze títulos. Um Campeonato Brasileiro (2009) com Andrade, duas Copas do Brasil, uma em 2006 sob comando de Ney Franco e a outra em 2013 com Jayme de Almeida. E oito cariocas (2000, 2001, 2004, 2007, 2008, 2009, 2011 e 2014). O custo benefício das trocas não foi dos melhores. Até o último título, haviam sido realizadas 33 mudanças.
Eis a questão
Demitir ou não? Eis a questão. Essa cultura do futebol brasileiro onde mudar o técnico causa uma mudança do time por um todo é uma das maiores falácias do mundo da bola. Os treinadores muitas vezes não têm nem tempo hábil para mostras sua qualidade ou um resultado. Quando têm tempo, o elenco a disposição é fraco. Infeliz ou felizmente, os comandantes não fazem milagres no futebol. As trocas acabam não resolvendo o problema e apenas agravam ele. O período de adaptação dos próprios jogadores ao novo comandante é inexistente, entra e sai uma filosofia diferente, um esquema diferente, uma pessoa diferente. Todos ficam perdidos no meio desse vai e vem.
A frequente mudança e a falta de resultado que ela traz mostra que demitir o atual treinador e contratar outro não é a melhor opção na grande maioria dos casos, e isso não resolve o problemas de um elenco fraco ou uma diretoria incompetente. Em times de torcida maior obviamente a pressão por resultados é maior e mais sentida. Tomemos como exemplo este ano de 2015. Luxa já estava no comando desde 2014 e no Carioca apesar da boa campanha no início, caiu frente ao Vasco já nas semis, nada que abalasse a confiança da torcida no medalhão. Então veio o Brasileiro, já na estreia contra o São Paulo uma derrota fora de casa. Na segunda rodada um empate com o Sport e na 3° mais um revés, dessa vez contra o Avaí na Ressacada. Um retrospecto ruim sem sombra de dúvidas, um ponto apenas em três jogos e a equipe já amargava a zona de rebaixamento. Luxemburgo cometeu erros sem a menor sombra de dúvidas. Porém o elenco que ele tinha em mão não era nem de longe um dos melhores do Brasil. O plantel é fraco e jogadores decisivos não vivem sua melhor fase. A diretoria também pecou. Colocando como referencial que o Flamengo brigará por vaga na Libertadores 2016, seja pela Copa de Brasil, seja pelo Brasileirão, o que o plantel precisa é de bons reforços urgentemente. Com o time que tem, a briga é no meio da tabela se não for no Z-4.
Confira a lista dos técnicos do Flamengo de 2000 para cá:
2000 - Paulo César Carpegiani
2000 - Carlinhos
2000/2001 - Zagallo
2001/2002 - Carlos Alberto Torres
2002 - João Carlos Costa
2002 - Lula Pereira
2002/2003 - Evaristo de Macedo
2003 - Nelsinho Baptista
2003 - Oswaldo de Oliveira
2003 - Waldemar Lemos
2004 - Abel Braga
2004 - Paulo César Gusmão
2004 - Ricardo Gomes
2004 - Andrade
2005 - Júlio César Leal
2005 - Cuca
2005 - Celso Roth
2005 - Andrade
2005 - Joel Santana
2006 - Valdir Espinosa
2006 - Waldemar Lemos
2006/2007 - Ney Franco
2007/2008 - Joel Santana
2008 - Caio Júnior
2009 - Cuca
2009/2010 - Andrade
2010 - Rogério Lourenço
2010 - Silas
2010/2012 - Vanderlei Luxemburgo
2012 - Joel Santana
2012/2013 - Dorival Júnior
2013 - Jorginho
2013 - Mano Menezes
2013/2014 - Jaime de Almeida
2014 - Ney Franco
2014/2015 - Vanderlei Luxemburgo
2015 - Cristóvão Borges