Após mais um resultado desastroso com uma atuação pífia
contra o time de pior saldo de gols de todas as divisões do Campeonato
Brasileiro, a pressão foi tão grande que Cristóvão Borges não resistiu e
"pediu o boné".
Apesar de ter sido garantido no cargo ontem, após a saída do
vestiário, pelo diretor-executivo de futebol do clube, Rodrigo Caetano, a
enorme rejeição da torcida somada aos anseios de Conselheiros do clube e
aliados da diretoria foram o suficiente para que uma reunião fosse marcada com
o treinador a fim de tratar de sua demissão.
Ocorre que Cristóvão se antecipou e pediu demissão. Os maus
resultados e as críticas cada vez maiores por parte da torcida abalaram
emocionalmente o treinador, que, apesar de muito querido pelo elenco, sentiu
que não estava conseguindo realizar um bom trabalho e que seria o momento de
sair, para evitar maiores desgastes para todos: ele, elenco e diretoria.
Na verdade, Cristóvão não caiu antes justamente por ter a
confiança do elenco, além do presidente Eduardo Bandeira de Mello e de Rodrigo
Caetano, diretor-executivo de futebol do clube, que resistiram em fazer mais
uma troca de técnicos, a 7ª desde a entrada da atual gestão, no final de 2012.
Cristóvão deixa o Flamengo com um aproveitamento ruim de 46,2%, com 8 vitórias,
1 empate e 9 derrotas em 18 jogos, o segundo pior aproveitamento de um
treinador do Flamengo na atual gestão, ganhando apenas de Ney Franco e seus
pífios menos de 15% em 2014.
A tendência natural é que Oswaldo de Oliveira, sem clube
desde sua saída do Palmeiras, em junho deste ano, seja o próximo treinador. Oswaldo,
ainda quando treinador do clube paulista, se assumiu torcedor do Flamengo desde
a infância e elogiou a diretoria atual do clube. Quando Luxemburgo foi demitido
ele era o nome preferido da diretoria, mas, como ainda estava empregado,
Cristóvão acabou sendo contratado. Oswaldo cairia do Palmeiras dez dias depois.
No entanto, grande parte da torcida já demonstra rejeição à
possível chegada de Oswaldo de Oliveira. Não pelo nome em si, considerado
melhor e mais vitorioso que o ex-técnico do time, mas pela necessidade de sair
do "lugar comum". Muitos torcedores e alguns dirigentes entendem que
chegou a hora de "revolucionar", saindo da ciranda dos mesmos nomes
medalhões, como Oswaldo ou Muricy.
Neste cenário, surgem com força nomes menos tarimbados, mas
de perfil considerado adequado para um projeto de médio e longo prazo: jovem,
estudioso, atualizado com os métodos de treinamento mais avançados, sem os
velhos vícios boleiros e de perfil ofensivo, como os de Petkovic, ídolo do
clube e atualmente treinador do Criciúma, que faz uma campanha de grande reação
na Série B; a efetivação de Zé Ricardo Mandarino, treinador que faz um belo
trabalho no time sub-20 do Flamengo; e o de algum sul-americano que siga essa
mesma linha, como Diego Cocca, do Racing, atual campeão argentino.
A efetivação de Jayme de Almeida está praticamente descartada
pela diretoria, que teme novo desgaste com a imprensa como aquele quando no
momento de sua demissão, em 2014. No entanto, é provável que Jayme comande interinamente
o time contra o São Paulo, no próximo domingo, às 16h, no Maracanã.
Por Ruan Lucas
Twitter: @ruanlucas_fla



